segunda-feira, 21 de abril de 2014

Diferença entre Surdocegueira e Deficiência Múltipla Sensorial


MELO, Juliana de Fátima Scanoni Cezário

 


A Surdocegueira é uma deficiência única em que o indivíduo apresenta ao mesmo tempo perda da visão e da audição. É considerado surdocego a pessoa que apresenta estas duas limitações, independente do grau das perdas auditiva e visual. De acordo com Lagati (1995) “A surdocegueira é uma condição que apresenta outras dificuldades além daquelas causadas pela cegueira e pela surdez. O termo hifenizado indica uma condição que somaria as dificuldades da surdez e da cegueira. A palavra sem hífen indicaria uma diferença, uma condição única e o impacto da perda dupla é multiplicativo e não aditivo”.

 

A surdocegueira pode ser congênita ou adquirida e não é deficiência múltipla. Segundo o fascículo (AEE-DM), as pessoas surdocegas estão divididas em quatro categorias:

 

ü As pessoas que eram cegas e se tornaram surdas;

ü As pessoas que eram surdos e se tornaram cegos;

ü As pessoas que se tornaram surdocegos;

ü As pessoas que nasceram surdocegos, ou se tornaram surdocegos antes de terem aprendido alguma linguagem.

 

Por ser desprovida de dois sentidos importantes a perda sensorial traz dificuldades para o desenvolvimento da compreensão do ambiente e muitas vezes a pessoa com surdocegueira fica isolada das informações do mundo que a cerca. O surdocego necessita da utilização dos sentidos remanescentes, ou seja, aqueles que estão intactos: o olfato, paladar, tato e aqueles que ainda possuem resíduo: visuais e ou auditivos. Sentidos estes, que lhe trarão informações sobre o ambiente no qual está inserido.

 

Múltipla deficiência sensorial é a deficiência auditiva ou a deficiência visual associada a outras deficiências (mental e/ou física), como também a distúrbios (neurológico, emocional, linguagem e desenvolvimento global) que causam atraso no desenvolvimento educacional, vocacional, social e emocional, dificultando a sua auto-suficiência.

 

Deficiência múltipla é quando uma pessoa apresenta mais de uma deficiência, “é uma condição heterogênea que identifica diferentes grupos de pessoas, revelando associações diversas que afetam, mais ou menos intensamente, o funcionamento individual e o relacionamento social” (fascículo DMU).

 

As pessoas com deficiência múltipla apresentam características específicas, individuais, singulares e não apresentam necessariamente os mesmos tipos de deficiência, podem apresentar cegueira e deficiência mental; deficiência auditiva e deficiência mental; deficiência auditiva e autismo e outros.

 

As pessoas com Múltipla Deficiência Sensorial podem apresentar:

 

ü Surdez com deficiência mental leve ou severa;

ü Surdez com distúrbios neurológicos, de conduta e emocionais;

ü Surdez com deficiência física (leve ou severa);

ü Baixa visão com deficiência mental leve ou severa;

ü Baixa visão com distúrbios neurológicos, emocionais e de linguagem e conduta;

ü Baixa visão com deficiência física (leve ou severa);

ü Cegueira com deficiência física (leve ou severa);

ü Cegueira com deficiência mental (leve ou severa);

ü Cegueira com distúrbios emocionais, neurológicos, conduta e linguagem.


As causas podem ser das mais diversas. Entre elas, podemos citar:

 

ü A má-formação congênita, que trata-se de "uma condição presente ao nascimento onde a hereditariedade não pode ser imediatamente excluída e não está necessariamente causando a anomalia que se apresenta. Pode ser definida portanto como qualquer defeito na constituição de algum órgão ou conjunto de órgãos que determine uma anomalia morfológica estrutural presente no nascimento por causa genética, ambiental ou mista"; Fonte: Wikipédia;

 

ü Causas pré-natais;

 

ü Infecções virais como rubéola ou Doenças Sexualmente Transmissíveis, que é importante destacar, que se não forem devidamente tratadas, podem causar a múltipla deficiência em adultos.

 

De acordo com Mesquita (2010), “As características especificas apesentadas pelas pessoas com deficiência múltipla lançam desafios à escola e aos profissionais que com elas trabalham no que diz respeito à elaboração de situações de aprendizagem a serem desenvolvida para que sejam alcançados resultados positivos ao longo do processo de inclusão”.

 

 

REFERÊNCIAS:

 

BOSCO, Ismênia C. M. G.; MESQUITA, Sandra R. S. H.; MAIA, Shirley R. Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar - Fascículo 05: Surdocegueira e Deficiência Múltipla (2010).

 

BRASIL, Ministério da Educação e da Cultura. Saberes e Práticas da Inclusão. Dificuldades de comunicação e sinalização surdocegueira/ deficiência múltipla sensorial. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/surdosegueira.pdf, acessado em: 19 de Abril de 2014.  

 

Surdo-Cegueira e Múltipla Deficiência SensorialDisponível em: http://www.coladaweb.com/medicina-e-enfermagem/surdo-cegueira-e-multipla-deficiencia-sensorial, acessado em: 19 de Abril de 2014.

 

 

quinta-feira, 3 de abril de 2014

EDUCAÇÃO ESCOLAR DE PESSOAS COM SURDEZ


Educação Escolar de Pessoas com Surdez

Atendimento Educacional Especializado (A.E.E)

 

                                                           MELO, Juliana de Fátima Scanoni Cezário

 


 

“Estudar a educação escolar das pessoas com surdez nos reporta não só a questões referentes aos seus limites e possibilidades, como também aos preconceitos existentes nas atitudes da sociedade para com elas” DAMÁZIO (2013, p. 13)

 Todas as pessoas, portadoras ou não de necessidades especiais, têm o direito de acesso à saúde, lazer, trabalho, educação e demais recursos que são necessários ao pleno desenvolvimento do ser humano.

 Ao longo da história, as pessoas com necessidades especiais foram julgadas incapazes de realizarem atividades consideradas normais ao ser humano “normal”. Essas pessoas foram então excluídas da sociedade e seus direitos, principalmente os de acesso ao trabalho e educação, foram desrespeitados.

Segundo Damázio (2010) “A educação escolar das pessoas com surdez nos reporta aproximadamente há dois séculos, quando se instaurou um embate político e epistemológico entre os gestualistas e oralistas”.

 O interesse pela educação das pessoas surdas surgiu pela percepção da necessidade de aprofundar conhecimentos e construir novos saberes sobre a inclusão na rede regular de ensino.  

A inclusão das pessoas com surdez se apresenta como um fato novo para a maioria dos professores e profissionais ligados à educação, surgindo como um grande desafio para todos, pois, uma escola inclusiva deve oferecer, ao aluno surdo possibilidades reais de aprendizagem, caso contrário estará realizando uma inclusão precária. Assim:

 
“Diante dessas concepções torna-se urgente repensar a educação escolar dos alunos com surdez, tirando o foco do confronto do uso desta ou daquela língua e buscar redimensionar a discussão acerca do fracasso escolar, situando-a no debate atual acerca da qualidade da educação escola e das práticas pedagógicas” (ALVEZ, 2010).

 De acordo com Damázio (2010), “Historicamente as concepções desenvolvidos sobre educação de pessoas com surdez se fundamentaram em três abordagens diferentes: a oralista, a comunicação total e a abordagem por meio do bilinguismo”.

Na abordagem Oralista visa a capacidade da pessoa com surdez para utilização da língua da comunidade ouvinte na modalidade oral, como única possibilidade linguística.

 A abordagem da Comunicação Total, considera a pessoa com surdez de forma natural, aceitando suas características e prescrevendo o uso de todo e qualquer recurso possível para a comunicação.

 A abordagem por meio do Bilinguismo visa capacitar a pessoa com surdez para a utilização de duas línguas no cotidiano escolar e na sua vida social, ou seja, a língua de sinais e a língua da comunidade ouvinte, assim facilitando a comunicação e interação da pessoa com surdez.

 É importante ressaltar que a pessoa com surdez pode e deve ter uma vida normal, e a escola tem um papel fundamental na vida destes indivíduos, não só das pessoas com surdez, mas de todos que apresentam limitações, pois segundo Damázio (2010) “Precisa ser uma escola que se organiza para todos, independentemente de alguma pessoa ter deficiência visível, no qual todas as diferenças são reconhecidas e a valorização do potencial humano é a prioridade do fazer educativo cotidiano”.

 
 
Referências:
 

ALVEZ, Carla Barbosa. A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: abordagem bilíngue na escolarização de pessoas com surdez/ Carla Barbosa Alvez, Josimário de Paula Ferreira, Mirlene Macedo Damázio. – Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial; Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2010.

DAMÁZIO,Mirlene F.M.,ALVES,Carla B. e FERREIRA,J.P. Educação Escolar de Pessoa com Surdez In: AEE : Fascículo 4: Abordagem Bilingue NA Escolarização de pessoas com Surdez. Fortaleza: UFC, 2010. p. 07-09.

DAMÁZIO, M. F. M. ; FERREIRA, J. Educação Escolar de Pessoas com Surdez-Atendimento Educacional Especializado em Construção. Revista Inclusão: Brasília: MEC, V.5, 2010. p. 46-57.