quinta-feira, 3 de abril de 2014

EDUCAÇÃO ESCOLAR DE PESSOAS COM SURDEZ


Educação Escolar de Pessoas com Surdez

Atendimento Educacional Especializado (A.E.E)

 

                                                           MELO, Juliana de Fátima Scanoni Cezário

 


 

“Estudar a educação escolar das pessoas com surdez nos reporta não só a questões referentes aos seus limites e possibilidades, como também aos preconceitos existentes nas atitudes da sociedade para com elas” DAMÁZIO (2013, p. 13)

 Todas as pessoas, portadoras ou não de necessidades especiais, têm o direito de acesso à saúde, lazer, trabalho, educação e demais recursos que são necessários ao pleno desenvolvimento do ser humano.

 Ao longo da história, as pessoas com necessidades especiais foram julgadas incapazes de realizarem atividades consideradas normais ao ser humano “normal”. Essas pessoas foram então excluídas da sociedade e seus direitos, principalmente os de acesso ao trabalho e educação, foram desrespeitados.

Segundo Damázio (2010) “A educação escolar das pessoas com surdez nos reporta aproximadamente há dois séculos, quando se instaurou um embate político e epistemológico entre os gestualistas e oralistas”.

 O interesse pela educação das pessoas surdas surgiu pela percepção da necessidade de aprofundar conhecimentos e construir novos saberes sobre a inclusão na rede regular de ensino.  

A inclusão das pessoas com surdez se apresenta como um fato novo para a maioria dos professores e profissionais ligados à educação, surgindo como um grande desafio para todos, pois, uma escola inclusiva deve oferecer, ao aluno surdo possibilidades reais de aprendizagem, caso contrário estará realizando uma inclusão precária. Assim:

 
“Diante dessas concepções torna-se urgente repensar a educação escolar dos alunos com surdez, tirando o foco do confronto do uso desta ou daquela língua e buscar redimensionar a discussão acerca do fracasso escolar, situando-a no debate atual acerca da qualidade da educação escola e das práticas pedagógicas” (ALVEZ, 2010).

 De acordo com Damázio (2010), “Historicamente as concepções desenvolvidos sobre educação de pessoas com surdez se fundamentaram em três abordagens diferentes: a oralista, a comunicação total e a abordagem por meio do bilinguismo”.

Na abordagem Oralista visa a capacidade da pessoa com surdez para utilização da língua da comunidade ouvinte na modalidade oral, como única possibilidade linguística.

 A abordagem da Comunicação Total, considera a pessoa com surdez de forma natural, aceitando suas características e prescrevendo o uso de todo e qualquer recurso possível para a comunicação.

 A abordagem por meio do Bilinguismo visa capacitar a pessoa com surdez para a utilização de duas línguas no cotidiano escolar e na sua vida social, ou seja, a língua de sinais e a língua da comunidade ouvinte, assim facilitando a comunicação e interação da pessoa com surdez.

 É importante ressaltar que a pessoa com surdez pode e deve ter uma vida normal, e a escola tem um papel fundamental na vida destes indivíduos, não só das pessoas com surdez, mas de todos que apresentam limitações, pois segundo Damázio (2010) “Precisa ser uma escola que se organiza para todos, independentemente de alguma pessoa ter deficiência visível, no qual todas as diferenças são reconhecidas e a valorização do potencial humano é a prioridade do fazer educativo cotidiano”.

 
 
Referências:
 

ALVEZ, Carla Barbosa. A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: abordagem bilíngue na escolarização de pessoas com surdez/ Carla Barbosa Alvez, Josimário de Paula Ferreira, Mirlene Macedo Damázio. – Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial; Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2010.

DAMÁZIO,Mirlene F.M.,ALVES,Carla B. e FERREIRA,J.P. Educação Escolar de Pessoa com Surdez In: AEE : Fascículo 4: Abordagem Bilingue NA Escolarização de pessoas com Surdez. Fortaleza: UFC, 2010. p. 07-09.

DAMÁZIO, M. F. M. ; FERREIRA, J. Educação Escolar de Pessoas com Surdez-Atendimento Educacional Especializado em Construção. Revista Inclusão: Brasília: MEC, V.5, 2010. p. 46-57.

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